"O destino de uma nação" chega nesta quinta aos cinemas brasileiros

Atuação marcante de Gary Oldman mostra, ao mesmo tempo, força e fragilidade do líder inglês na resistência contra avanço nazista no início da 2ª Guerra

O Winston Churchill de "O destino de uma nação", que estreia no Brasil nesta quinta-feira (11) ganha força quando não sabe o que dizer, duvida de si mesmo, não tem apoio nem perspectiva de ser um herói da Segunda Guerra Mundial. Não é só a imagem do líder inglês mordaz, de frases e estratégias geniais.

A atuação de Gary Oldman consegue unir estas duas facetas do herói e do homem falho. O ator inglês de 59 anos ganhou o Globo de Ouro de melhor ator em filme dramático no último domingo (7) e desponta como um dos nomes cotados para indicação ao Oscar. Seria a sua segunda indicação, depois de "O espião que sabia demais" (2012), mas agora com mais chances de vitória.

Não faltam cenas daquelas que passam durante o Oscar para mostrar uma atuação "intensa" - os famosos discursos de Churchill no parlamento ou acessos de raiva contra inimigos políticos que queriam fazer um acordo com Hitler. Mas outras cenas, como a que o mostra catatônico na cama, sem saber o que dizer para os tais inimigos, merecem o mesmo crédito.

"Ele me deixava pasmo constantemente", diz o diretor Joe Wright sobre a atuação de Gary Oldman no filme que conta a história do início do mandato do primeiro-ministro no momento em que a Alemanha ameaçava dizimar o exército inglês na 2ª Guerra.

"O destino de uma nação" conta, sob outra perspectiva, a mesma história de outro filme de sucesso deste ano: "Dunkirk". É o momento frágil da Grã-Bretanha em 1940, quando Hitler tomou de assalto a Europa continental e encurralou quase todo o exército inglês no litoral da França.

"Dunkirk", de Christopher Nolan, mostra o lado militar: como o exército ficou desesperado para sair do massacre na praia francesa. Já "O destino de uma nação" mostra o desespero dos políticos em Londres com a expansão e a superioridade das forças nazistas. Ninguém confiava muito no novo primeiro-ministro, Churchill, para salvar a Inglaterra dessa encrenca.

O grande drama, não muito contado em aulas de história, foi como a Grã-Bretanha chegou pertinho de jogar a toalha e assinar um acordo de paz com a Alemanha. Eles dariam a Europa de bandeja a Hitler na tentativa de evitar um desastre maior para a ilha. Churchil foi o maior adversário desse plano, mas também chegou a vê-lo como alternativa real.

São filmes bem diferentes, mas mesmo assim é curioso que a mesma história de 1940 tenha sido contada duas vezes justo agora, com boa repercussão em ambos os casos. Ainda mais que o tema tem pouca conexão direta com temas sociais atuais que reverberam em Hollywood hoje.

 

Talvez o apelo seja uma palavra muito usada tanto na cresente oposição aos governos da Inglaterra e dos EUA atualmente: resistência. Pessoas que, em situações muito adversas, conseguiram manter a calma e mobilizar outras, entre erros e acertos, para tentar reverter a situação tenebrosa. É isso que o Churchill humano de um lado e o seu exército em retirada do outro mostram.