Com novela sobre Jesus, Record não quer mais ser acusada de falar mal da igreja católica

A Rede Record de televisão sofre com Apocalipse, sua atual novela do horário nobre. Fracasso total, o principal produto da teledramaturgia da emissora é uma das menores audiências do canal e, por conta disso, já foi encurtada em 60 capítulos e vários acontecimentos foram antecipados. A substituta já foi definida.

A Rede Record de televisão sofre com Apocalipse, sua atual novela do horário nobre. Fracasso total, o principal produto da teledramaturgia da emissora é uma das menores audiências do canal e, por conta disso, já foi encurtada em 60 capítulos e vários acontecimentos foram antecipados. A substituta já foi definida.

O canal de Edir Macedo vai contar a história de Jesus de uma forma diferente e sem criticar a nenhuma religião. A ideia da direção do canal é acabar com as críticas dos telespectadores e imprensa com a novela Jesus e “fazer as pazes” com os católicos que também dão audiência para a emissora.

Apocalipse

Não deu mesmo para a novela Apocalipse, trama do horário nobre da Record, que estava com grandes expectativas de audiência. No inicio, a ideia era a de que o folhetim bíblico bateria o Jornal Nacional e a novela das nove da Globo em audiência. Aconteceu tudo ao contrário e a direção da emissora paulista iniciou o ano com a decisão de encurtar a trama de Vivian de Oliveira em 60 capítulos. A novela ficará bem curtinha, com um total de 110 capítulos.

Com essa nova ordem, várias catástrofes que estavam marcadas para irem ao ar mais para o fim da novela serão antecipadas. Algumas, aliás, serão gravadas nesta semana. A baixa audiência e a fuga dos patrocinadores fizeram a alta cúpula da emissora tomar essa decisão.

“DESASTRE INCONSEQUENTE”

A atual novela bíblica da Record, que está indo de mal a pior em termos de audiência, apresenta uma igreja controlada pelo anticristo que parece, e muito, a igreja católica. Além disso, a história vem passando uma mensagem que só se salvarão àqueles que encontrarem a “verdadeira fé”. Ou seja, a Record transformou sua principal novela numa grande propaganda da igreja que a controla, coisa que as tramas bíblicas anteriores não faziam.

“Uma pena que a Record teime em usar seus produtos para evangelizar. A emissora possui uma grande estrutura, ótimos profissionais e excelentes artistas, e poderia privilegiar o entretenimento e a informação, ao invés de impor sua visão religiosa. Apocalipse, muito bem-feita e com um dos elencos mais poderosos já reunidos pelo canal, vem se revelando um inconsequente desastre”, comentou o crítico André Santana em seu blog.

Antes mesmo de estrear, Apocalipse, a novela bíblica da Record já estava na mira dos católicos. Blogs e perfis de redes sociais pediam boicote ao folhetim, que, diziam, iria demonizar a igreja romana. Não deu outra.

Em uma sequência da primeira fase de Apocalipse em que é mostrada uma celebração semelhante a uma missa, com homens vestidos de preto e vermelho qual bispos católicos, e sentados diante de um altar comandado por um homem paramentado por camadas de branco como o próprio papa, o Anticristo, narrador da trama, diz com um deboche pérfido: “Minha realização mais astuta. São quase 1.700 anos espalhando trevas pelo mundo”.

O narrador, voz de Sergio Marone (o maldoso Ramsés de Os Dez Mandamentos) continua, irônico: “Mas, é claro, tudo muito bem elaborado para parecer divino. Ah, o engano é minha especialidade”. O nome da igreja romana de Apocalipse, no entanto, é outro: Igreja da Sagrada Luz.

Em seguida, o “sacerdote mestre”, como é chamado o “papa” no site oficial de Apocalipse, chama Stefano (Flávio Galvão), sacerdote que o assistiu na cerimônia, para uma conversa. Conversa altamente comprometedora.

“Essas paredes ecoam histórias de uma trajetória milenar, desde que a missão da sagrada igreja começou nessa terra. Só foi possível atravessar os séculos porque sempre soubemos manter o poder e a influência, nos associando às pessoas certas”, diz o sacerdote-mor, Lorenzo Viscone (João Bourbonnais), que comenta o surgimento de igrejas rivais que estariam ameaçando o poder da Sagrada Luz. “Estamos passando por uma fase de grande desafio. Novos valores e crenças surgindo pelo mundo, doutrinas de outras igrejas seduzindo fiéis. Mas nada, absolutamente nada deve abalar o que representamos”.

Stefano pondera, “Ainda somos a igreja dominante”. Ao que o “papa” atalha: “E devemos continuar a ser. Custe o que custar.” Stefano repete: “Custe o que custar”. Em seguida, eles falam da família Montana, no seio da qual nascerá o Anticristo, vivido por Sergio Marone.

A primeira fase de Apocalipse se passa nos anos 1980. Fundada em 1977, a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, proprietário da Record, estava então em crescimento.

Na cena citada, o personagem de Flávio Galvão pondera: “Ainda somos a igreja dominante”. Ao que o “papa” atalha: “E devemos continuar a ser. Custe o que custar.” Stefano repete: “Custe o que custar”. Em seguida, Stefano e Lorenzo Viscone eles falam da família Montana, no seio da qual nascerá o Anticristo, vivido por Sergio Marone.

 

Para o blog católico Filhos de Deus, a nova novela de Vivian de Oliveira “retrata a Igreja Católica como satanista”. Em texto publicado depois da exibição do segundo capítulo de Apocalipse, o blog afirma que a trama tem “lançado ataques que nitidamente estão ligados à Igreja Católica” e analisa a sequência da Igreja da Sagrada Luz, uma “igreja satânica”, destacando que “as vestes dos seus integrantes são idênticas aos dos líderes católicos”.